quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Terrorcidio - Favela



Por Greg M. Schurtz

Nota: 08.0/10.0

O TERRORCIDIO não está aqui para fazer carinho nos ouvidos de ninguém. Lançado em 15 de outubro de 2024, Favela é o primeiro álbum completo da banda e chega despejando uma mistura bruta de Death Metal, Thrash Metal e Hardcore, com pouco mais de 30 minutos de duração e nenhuma intenção de enrolar o ouvinte. Formado na Cidade Ocidental, no Entorno do Distrito Federal, o trio transforma vivências periféricas, violência e problemas sociais em combustível para um som que prefere o ataque direto à sofisticação desnecessária. A proposta combina com o título: o disco não tenta romantizar a realidade retratada nem suavizar a indignação que atravessa suas composições.

A pancadaria começa a ganhar forma em “Guerrilha 33”, que abre caminho com riffs secos, bateria acelerada e aquela sensação de que a música está sempre prestes a sair do controle. Na sequência, “Metal Nunca Morrerá” funciona como um manifesto curto e sem rodeios, enquanto “Possessão” é um dos grandes destaques do álbum: mais encorpada, a faixa abre espaço para a combinação entre a brutalidade do Death Metal e a urgência do Hardcore. O resultado não depende de malabarismos técnicos para funcionar. Aqui, o negócio é fazer os riffs baterem forte, manter o ritmo lá em cima e entregar composições que vão direto ao ponto.

Na faixa-título, “Favela”, a banda coloca sua identidade social no centro do ataque sonoro. A letra parte de situações que os próprios integrantes conhecem de perto, especialmente a violência e as dificuldades enfrentadas por quem vive na periferia de Brasília. Não se trata apenas de usar a realidade como pano de fundo para fazer Metal extremo: a intenção é transformar indignação em música, com peso e agressividade compatíveis com o conteúdo. “Circo dos Porcos” segue essa linha combativa, apostando em uma abordagem direta, enquanto “Agony” mantém a pressão até os momentos finais do repertório principal. São composições que funcionam justamente por não tentarem enfeitar demais a mensagem.

Na formação, Paulo Heavy chama a atenção ao assumir baixo e vocais, alternando screams e guturais com uma entrega que combina perfeitamente com a proposta do grupo. Sua interpretação tem presença e não fica devendo intensidade, especialmente em “Possessão”, na qual a combinação entre voz e instrumental ajuda a sustentar o impacto da composição. Wesley, na guitarra, contribui com riffs pesados e cortantes, sem transformar as músicas em demonstrações gratuitas de técnica. Já Graciel Cavalcante, na bateria, segura a velocidade e reforça a agressividade com uma execução que dá sustentação aos momentos mais intensos. A produção também merece crédito: mesmo com a crueza característica do underground, os instrumentos permanecem definidos, evitando que o peso vire uma massa sonora embolada.

No fim das contas, Favela entrega exatamente aquilo a que se propõe: um disco curto, nervoso e sem frescura, que encontra no encontro entre Death Metal e Hardcore sua principal força. “Guerrilha 33”, “Possessão” e “Favela” formam um trio de destaques que resume bem a identidade do trabalho, enquanto “Metal Nunca Morrerá” acrescenta uma dose de atitude e “Circo dos Porcos” mantém o repertório no modo de ataque. As faixas extremamente curtas, como “Chuta o Bicho Morto” e “Blasfêmia”, funcionam como golpes rápidos, embora essa economia também limite o espaço para desenvolver ideias mais variadas. As três faixas bônus ao vivo ampliam o material e dão uma amostra da energia do grupo fora do estúdio. Não é um álbum interessado em agradar a todos, tampouco precisa ser: o mérito do TERRORCIDIO está em transformar sua realidade em música pesada, mantendo uma identidade própria e uma postura coerente do início ao fim.

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