quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Profira - Em Nosso Lugar

 

Por Greg M. Schurtz

Nota: 08.0/10.0

O PROFIRA chega a Em Nosso Lugar com aquele tipo de trabalho que não precisa inventar moda para mostrar a que veio. Formada em 2014, em Angra dos Reis (RJ), a banda aposta em um Rock acessível, com pitadas de Pop Rock, melodias marcantes e letras que passeiam pela fé, pelo amor, pelas relações humanas e pelos problemas sociais. Lançado em 28 de fevereiro de 2025, o álbum reúne oito faixas em aproximadamente 27 minutos e apresenta uma proposta bastante direta: fazer música com mensagem, sem transformar cada composição em um discurso complicado. É justamente nessa simplicidade que o grupo encontra sua principal força, embora algumas passagens pudessem explorar caminhos mais ousados para ampliar a variedade sonora.

Um dos grandes acertos do disco aparece logo em “O Brasil Tem Jeito”, que encara questões coletivas por meio de uma abordagem melódica e fácil de acompanhar. Já “Nada Além do Novo” coloca as guitarras mais à frente e mostra como o PROFIRA consegue equilibrar peso e acessibilidade sem perder o fio da composição. Marcelo Banni conduz a faixa com vocais melódicos e uma interpretação que prioriza a comunicação, enquanto Daniel Honorato acrescenta corpo ao arranjo com as guitarras. Não é aquele Rock cheio de firulas ou de solos intermináveis, e nem precisa ser: a ideia é fazer a música funcionar, e esses dois momentos mostram que a banda sabe construir refrões e estruturas que permanecem na cabeça depois da audição.

A faixa-título, “Em Nosso Lugar”, merece atenção especial pela maneira como cresce ao longo de sua execução. A música nasceu de forma espontânea, a partir de uma ideia cantarolada por Marcelo Banni durante uma conversa com o ex-guitarrista Daniel Serra, que percebeu ali o potencial para desenvolver uma composição. O resultado começa com clima de balada e ganha força gradualmente, impulsionado pelas guitarras. É uma estrutura simples, mas eficiente, que combina com a proposta sentimental da letra sem cair em exageros desnecessários. Em outra direção, “Lágrimas nos Olhos” aposta em uma atmosfera mais introspectiva, abordando a falta de empatia, o autoritarismo e os conflitos sociais. O contraste entre o início mais contido e a entrada de riffs mais intensos dá à faixa um peso emocional que a coloca entre os melhores momentos do álbum.

A formação atual também tem papel importante nessa construção. Marcelo Banni assume os vocais e a guitarra, demonstrando versatilidade ao alternar entre bases rítmicas e melodias que sustentam a identidade do grupo. Daniel Honorato, na segunda guitarra, amplia as possibilidades dos arranjos, enquanto Big Hand’s, no baixo, e Ryan Banni, na bateria, garantem uma base firme e bem encaixada. Em “Para Te Adorar”, essa combinação funciona especialmente bem: os riffs têm presença, a interpretação vocal mantém a emoção em primeiro plano e a instrumentação acompanha a proposta espiritual sem deixar a música perder sua essência roqueira. “Somos Filhos de Deus” e “Criador e Criação” reforçam essa dimensão de fé, enquanto “Todos Os Dias” ajuda a manter o repertório leve e acessível. O conjunto não busca demonstrar virtuosismo a qualquer custo; sua prioridade está na canção e na mensagem.

No balanço geral, Em Nosso Lugar é um disco honesto, melódico e coerente com aquilo que o PROFIRA pretende comunicar. A produção favorece a clareza dos instrumentos, as composições apresentam identidade e faixas como “Em Nosso Lugar”, “Lágrimas nos Olhos” e “Nada Além do Novo” mostram diferentes maneiras de combinar emoção, crítica social e guitarras. O ponto que merece atenção é a relativa previsibilidade de algumas estruturas, que poderiam ganhar mais personalidade com mudanças de dinâmica e soluções instrumentais menos convencionais. Ainda assim, seria injusto cobrar do álbum uma postura experimental que não faz parte de sua proposta central. O mérito da banda está em entregar Rock brasileiro de fácil assimilação, com letras que procuram dialogar com a realidade e uma identidade construída sem disfarces. É um trabalho que não pretende revolucionar o gênero, mas deixa claro que o PROFIRA tem algo a dizer e sabe como transformar suas ideias em canções.

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