quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Resenha: Uganga - Ganeshu

Por Greg M. Schurtz

Nota: 09.0/10.0

Depois de mais de três décadas de estrada, a UGANGA chega a Ganeshu mostrando que renovação não precisa significar abandono das próprias raízes. Lançado em 9 de maio de 2025, o oitavo álbum de estúdio da banda mineira reúne dez faixas em apenas 26 minutos e transforma o Crossover em um verdadeiro caldeirão de Thrash Metal, Hardcore, Groove, Dub, Rap, psicodelia e elementos eletrônicos. O disco nasceu justamente em meio a uma profunda reformulação do grupo e, como o próprio Manu Joker explicou, representa “um novo momento para a banda. Uma nova era”, com um trabalho “direto, brutal e experimental”. A gravação aconteceu no Rocklab Studio, em Anápolis (GO), com produção dividida entre Manu e Gustavo Vazquez, e a decisão de registrar a base instrumental de forma conjunta, com uma guia vocal, ajudou a preservar aquela sensação de urgência que a UGANGA leva para o palco.

“Igarapés” funciona como uma introdução atmosférica e quase ritualística antes de “A Profecia” entrar rasgando tudo, combinando a velocidade do Hardcore com bases de Thrash e uma guitarra particularmente eficiente de Jean Pagani. Manu Joker segue sendo o grande ponto de referência vocal, alternando peso, agressividade e clareza para que as letras em português não percam força no meio da pancadaria. Em “Confesso”, a banda diminui um pouco a velocidade e deixa o Groove assumir maior protagonismo, com Juninho Silva mostrando por que sua bateria é tão importante para o dinamismo do álbum: há peso, quebradas e mudanças de andamento sem qualquer necessidade de transformar a música em uma demonstração técnica. O próprio Manu resume bem a filosofia do disco ao recomendar que ele seja ouvido inteiro, em ordem, já que as músicas “se completam” dentro desses pouco mais de 26 minutos.

Se existe uma faixa capaz de resumir a capacidade da UGANGA de juntar universos diferentes sem perder a mão, essa é “Tem Fogo!”. O instrumental passeia por Thrash, Rap e breakdowns pesados, enquanto a letra dialoga com o Cerrado, destruição, vícios e referências a Iansã, fazendo da música um dos grandes momentos do álbum. A atuação de Juninho é novamente decisiva, sustentando as mudanças de clima com precisão, enquanto as guitarras de Pagani adicionam riffs que funcionam tanto na audição doméstica quanto naquele contexto de moshpit que parece ser o habitat natural da banda. “Sonho” mantém a alternância entre passagens cadenciadas e momentos mais velozes, preparando o terreno para “Psicoraio Dub”, talvez a demonstração mais evidente de que o grupo não está interessado em obedecer às fronteiras convencionais do Metal. O próprio Manu já explicou que Dub e Doom possuem conexões justamente pela combinação de lentidão, peso e psicodelia — e essa liberdade de pensamento está espalhada por todo o álbum.

“Exu Não Passa Pano” devolve a urgência ao repertório com riffs certeiros, bateria pesada e um refrão que praticamente exige participação coletiva, enquanto “D.R.Ones” aparece como um pequeno interlúdio antes da faixa-título. E é justamente em “Ganeshu” que todas essas experiências parecem encontrar um ponto de convergência. A música, a mais longa do disco, alterna peso, Groove, momentos mais contidos, ritmos regionais e uma conclusão mais extrema, com Manu adotando uma interpretação relativamente mais contida em determinados trechos. O conceito também é fundamental: “Ganeshu” é uma entidade imaginada por Manu a partir da fusão simbólica de Ganesha e Exu, duas figuras associadas à abertura de caminhos e à remoção de obstáculos. A ideia funciona como uma espécie de espelho da própria banda, que há décadas mistura referências culturais e musicais aparentemente distantes. Como o vocalista definiu em entrevista, a UGANGA faz “crossover livre com cheiro de coturno, incenso e ganja” — e dificilmente haveria descrição mais adequada para este álbum.

“Pressentimento”, encerrada com participações de Jonas Pheer, O Eremita Roots e Isabela Melo, fecha Ganeshu de maneira coerente com toda a proposta: incorporando elementos de Rap e ampliando ainda mais o campo de atuação da banda sem abandonar o peso. Vale lembrar que o álbum foi registrado por Manu Joker (voz e percussão), Juninho Silva (bateria e vocais), Jean Pagani (guitarra e vocais) e Raphael “Ras” Franco (baixo e vocais), formação que posteriormente passou por novas mudanças, com Vinícius Luz e Igor Wallace assumindo guitarra e baixo, respectivamente. Mais do que simplesmente apresentar novas músicas, Ganeshu documenta um período de transformação e funciona como um retrato bastante honesto da UGANGA neste momento: curto, pesado, inquieto e disposto a experimentar. Não é um disco feito para quem precisa encontrar uma etiqueta confortável para cada faixa; é um trabalho que pede uma audição completa e recompensa justamente quando o ouvinte aceita embarcar nessa mistura de Crossover, espiritualidade, crítica social e referências que vão muito além do Metal.

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Entrevista: Adulfe - As Novas Facetas do Modern Metal Brasileiro

 

1 - Bruno, obrigado pelo seu tempo para nós da Metal Fire Metal. Você pode nos contar como foi o início da carreira da ADULFE?

R. A banda tem uma historia bem interessante, começamos no meio evangélico lá em 2009 tocando somente covers e entre muitas idas e vindas em 2018, a formação atual se fez, desde então decidimos que trabalharíamos com musica autoral e em 2021 nasceu o “Decadencia” com 5 faixas  que falava sobre superação, foi um álbum totalmente orgânico fizemos praticamente tudo sozinhos não tínhamos produtor na época, mas com o passar do tempo percebemos que precisaríamos subir o nível e  em 2024/2025 fizemos o “Anxiety” dessa vez com um produtor e totalmente em inglês, o que foi essencial para o resultado que tivemos.

2 - Conheci o trabalho de vocês através de “Anxiety”. Como tem sido a repercussão deste trabalho?!

R. Bem melhor do que esperávamos, tivemos números melhores nas plataformas, os shows mais lotados e até repercussão internacional, fizemos cds físicos, pro pessoal de fora do pais que prefere, no geral estamos trabalhando e investindo nosso tempo e dedicando com nossa equipe na Europa e Asia e até o momento tem dado resultado.

 3 - Como se deu o processo de produção do material? Quem assinou a produção? Vocês costumam participar?

R: Então no nosso processo fazemos a pré produção nós mesmos no nosso home studio e então passamos pro nosso produtor Matheus Nunes do RJ, trocamos ideias sobre as musicas em geral o processo é bem mutuo com participação dos 2 lados, no caso foi muito bom termos uma visão de fora pra ampliar nossa percepção do metal em si.

4 - A banda, ao menos pra mim, soa como Modern Metal. Mas como vocês se rotulam?

R: Hoje em dia poderia dizer que somos uma mistura de Metalcore com elementos do Deathcore, pois tem uma grande diferença do 1º pro 2º álbum mas mesmo assim ainda n temos tanta influencia  do Djent por exemplo como Architets e  I Prevail que são bandas mais modernas mesmo, creio que estamos mais perto do Suicide Silence do que deles.

5 - O que você acha sobre outros gêneros musicais? O que vocês costumam ouvir nas horas vagas?

R: Nessa Parte é que banda se difere bem, pois cada um tem uma influencia distinta Por exemplo: Country, power metal, Metalcore clássico como As i Lay Dying e Killswitch Engage, Musica Eletronica, Rap e até POP como Lady gaga, no final das contas dá uma mistura boa.

6 - “Darkness Inside” foi uma enorme surpresa pra mim. Por qual razão resolveram gravá-la?

R. é uma faixa que fala bem sobre o que é o álbum em si, nele falamos sobre ansiedade, depressão, questões de saúde mental resumidamente. Mas falando sobre ela em especifico, ela deixa bem explicito qual a sensação que a depressão traz, um lugar escuro, com muros

7 - Queria muito poder conferir mais conteúdo de vocês. Mais lançamentos estão nos planos para 2026?

R. sim com certeza já estamos trabalhando no novo álbum, mas ainda não temos uma data prévia, mas queremos lançar esse ano ainda

8 - Acho que o som de vocês casa muito bem com o inglês. Concordam? Alguma chance de vocês passarem a trabalhar também com o português novamente?

R. Então, nosso objetivo com o “Anxiety” era justamente buscar o mercado internacional, por isso a mudança para o inglês, não descartamos totalmente a ideia do português, mas por enquanto não existem planos para voltar para ele, e sim creio que todos concordam que esse projeto combinou muito com o inglês.

 9 - Como tem sido os shows nesta fase atual da carreira da banda?

R. A, a reação das pessoas tem nos surpreendido, desde ficarem parados apenas olhando de boca aberta até girando loucamente no mosh, o som pesou bastante o que agradou a maioria, e a recepção num geral tem sido ótima, mas gostaríamos de fazer mais shows e rodar mais pelo brasil em lugares diferentes

10 - E quanto a novos lançamentos no formato áudio visual? Alguma chance de vermos novos videoclipes da banda ainda em 2026?

R. a sim temos projeto pra mais clipes esse ano ainda, já temos 3 do Anxiety e creio que faremos mais 2, mas sem data ainda.

11 - Bruno, mais uma vez, muito obrigado. Se algo ficou pendente, por favor este espaço é seu para as considerações finais...

R. Nós que agradecemos o espaço, foi muito bom conversar com vocês, sigam a @_Adulfe no Instagram, e nas outras redes sociais, nossa musica está em todas as plataformas digitais, Spotify, Deezer, Itunes, Youtube...


Um grande abraço e até a próxima

Valeu!

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Entrevista - Profira: A Nova Força do Hard Rock no Brasil

 

1. Marcelo, obrigado pelo seu tempo para nós da Metal Fire Metal. Você pode nos contar como foi o início da carreira da PROFIRA?

A Profira foi formada em 2014, em Angra dos Reis, com o objetivo de fazer música com identidade e verdade. Desde o início, buscamos construir nosso próprio caminho dentro do rock, passando pelo Pop Rock Nacional, MPB, música cristã e também por grandes clássicos que fazem parte da nossa formação musical.

Ao longo desses anos, fomos amadurecendo como banda, adquirindo experiência nos palcos e construindo uma trajetória baseada principalmente no amor pela música e na vontade de continuar realizando esse sonho.

2. Conheci o trabalho de vocês através de “Em Nosso Lugar”. Como tem sido a repercussão deste trabalho?!

“Em Nosso Lugar” representa muito para a Profira. É sempre muito gratificante quando uma música chega às pessoas e consegue transmitir aquilo que nós sentimos quando estamos tocando.

A repercussão tem sido muito importante para nós, principalmente porque mostra que existe público interessado no nosso trabalho e disposto a conhecer cada vez mais a banda.

3. Como se deu o processo de produção do material? Quem assinou a produção? Vocês costumam participar?

A produção é uma parte muito importante do nosso trabalho. Nós procuramos participar do processo e acompanhar de perto aquilo que representa a identidade da banda.

Mais do que simplesmente gravar uma música, queremos que o resultado final tenha a nossa personalidade e traduza aquilo que somos musicalmente.

4. A banda, ao menos para mim, soa como algo entre o Hard Rock e o Rock Nacional. Mas como vocês se rotulam?

Acho que essa mistura faz parte justamente da nossa identidade. A Profira transita por diferentes influências, principalmente dentro do rock nacional, mas também traz elementos de outros estilos que fazem parte da nossa história musical.

Eu não gosto muito de colocar a banda dentro de uma única definição. Prefiro dizer que somos uma banda de rock que busca liberdade para trabalhar diferentes influências sem perder a nossa identidade.

5. O que você acha sobre outros gêneros musicais? O que vocês costumam ouvir nas horas vagas?

Eu acredito que todo gênero musical pode trazer alguma coisa interessante. Como músico, acho importante estar aberto para ouvir coisas diferentes, porque isso também contribui para o crescimento artístico.

As nossas influências são variadas, e cada integrante tem suas próprias referências. Essa diversidade acaba aparecendo naturalmente na música da Profira.

6. “Nada Além do Novo” foi uma enorme surpresa pra mim. Por qual razão resolveram gravá-la?

“Nada Além do Novo” surgiu dentro desse processo de buscar novas possibilidades para a banda.

A música chamou nossa atenção justamente pela possibilidade de mostrar um outro lado da Profira. Quando acreditamos em uma música, procuramos fazer com que ela tenha o nosso jeito e consiga conversar com quem está ouvindo.

7. Queria muito poder conferir mais conteúdo de vocês. Mais lançamentos estão nos planos para 2026?

Sim. Estamos vivendo um momento importante para a Profira e queremos continuar produzindo e apresentando novidades.

2026 é um ano muito especial para nós, principalmente com o projeto “Em Busca do Sonho Perfeito”, e a intenção é continuar trabalhando para levar a música da Profira cada vez mais longe.

8. Acho que o som de vocês casa muito bem com o português. Concordam? Alguma chance de vocês passarem a trabalhar também com o Inglês?

O português faz parte da nossa identidade e é a língua na qual conseguimos transmitir nossas ideias de maneira muito natural.

Mas acredito que a música não precisa ficar presa a uma única possibilidade. Trabalhar futuramente com o inglês pode ser uma possibilidade interessante, principalmente se houver uma música ou um projeto que peça isso naturalmente.

9. Como tem sido os shows nesta fase atual da carreira da banda?

Os shows são uma das partes mais importantes da nossa trajetória. É no palco que a banda consegue estabelecer uma conexão direta com o público.

Estamos vivendo uma fase de renovação e de busca por novos espaços, novos públicos e novas experiências. Nosso objetivo é continuar fazendo shows com muita energia e entregar uma apresentação que represente verdadeiramente a Profira.

10. E quanto a novos lançamentos no formato audiovisual? Alguma chance de vermos novos videoclipes da banda ainda em 2026?

O audiovisual é uma ferramenta muito importante atualmente e certamente faz parte dos nossos planos.

A ideia é continuar produzindo conteúdo que ajude a apresentar a Profira para um público cada vez maior. Novos videoclipes e materiais audiovisuais são possibilidades que queremos explorar ao longo de 2026.

11. Marcelo, mais uma vez, muito obrigado. Se algo ficou pendente, por favor este espaço é seu para as considerações finais...

Eu é que agradeço o espaço e a oportunidade de falar um pouco sobre a Profira.

Quero agradecer a todos que acompanham o nosso trabalho, às pessoas que vão aos nossos shows, ouvem nossas músicas, compartilham nosso material e acreditam na banda.

A Profira continua seguindo em frente, com muita vontade de fazer música, subir aos palcos e realizar esse sonho. “Em Busca do Sonho Perfeito” é justamente sobre isso: continuar acreditando, trabalhando e fazendo acontecer.

Muito obrigado à Metal Fire Metal pelo espaço e a todos que fazem parte dessa caminhada. Espero encontrar vocês em breve em algum palco por aí!

 

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Resenha: Vartroy - Echoes of a Silent Crossing

 

Por Greg M. Schurtz

Nota: 10.0/10.0

Há discos que funcionam apenas como uma coleção de músicas, e há aqueles que se apresentam como uma experiência completa. “Echoes of a Silent Crossing” pertence claramente à segunda categoria. Neste novo trabalho, a VARTROY demonstra confiança em sua proposta artística, construindo uma obra que vai além do simples impacto sonoro. A banda utiliza o álbum como uma plataforma para explorar conflitos internos, inquietações sociais e questionamentos existenciais, tudo isso sustentado por uma produção sólida e uma identidade musical bem definida.

Ao longo da audição, percebe-se uma preocupação constante em desenvolver atmosferas que dialogam diretamente com o conteúdo das composições. Faixas como “Whispers in the Silence” e “Inner Storm” exemplificam essa dinâmica ao alternar momentos de delicadeza melódica com passagens marcadas por intensidade e agressividade. Essa capacidade de contrastar sensações sem comprometer a fluidez do álbum contribui para que a narrativa sonora permaneça interessante e envolvente do início ao fim.

Entre os destaques do repertório, “Rebel Souls” e “Another Billionaire” merecem atenção especial por apresentarem discursos mais diretos e críticos, apoiados por estruturas instrumentais vigorosas e bem construídas. Em paralelo, músicas como “The Dance of Moments” e “Scars and Memories” revelam uma faceta mais emocional da banda, ampliando o alcance do trabalho e evitando que o álbum fique preso a uma única proposta estética. Essa diversidade acaba sendo uma das principais qualidades do registro.

O encerramento com “Roving Horizons” e “Dying Resonance” reforça a sensação de jornada concluída, deixando uma impressão duradoura após a última nota. Mais do que demonstrar competência técnica, a VARTROY entrega um álbum que transmite propósito e personalidade. “Echoes of a Silent Crossing” surge como um passo significativo na evolução criativa do grupo e confirma sua capacidade de produzir obras relevantes dentro do cenário contemporâneo do Rock e do Metal.

Resenha: Adulfe - Anxiety

 

Por Greg M. Schurtz

Nota: 09.0/10.0

O EP "Anxiety", da ADULFE, representa um importante passo na evolução da banda sul-mato-grossense dentro do Metalcore e Deathcore nacional. Lançado em fevereiro de 2025 pela The Ghost Writer Records no Brasil, o trabalho apresenta sete faixas cantadas em inglês e aborda temas ligados à ansiedade, depressão, conflitos emocionais e superação pessoal, demonstrando uma proposta conceitual madura e voltada para um público cada vez mais amplo. A sonoridade combina peso extremo, melodias bem construídas e uma abordagem moderna que reforça a identidade do grupo.

Entre os principais destaques do repertório estão “Anxiety”, faixa-título que sintetiza a proposta temática do EP, além de “Darkness Inside”, que ganhou videoclipe próprio e se tornou uma das músicas mais comentadas do lançamento. Outras composições de grande impacto são “I'll Find My Way”, “Pain and Misery” e “Life and Death”, que evidenciam a capacidade da banda de equilibrar agressividade sonora e forte carga emocional em suas letras.

Musicalmente, a ADULFE demonstra um notável amadurecimento em relação aos trabalhos anteriores, apostando em riffs pesados, passagens técnicas e vocais intensos que dialogam diretamente com as influências do Metalcore e Deathcore contemporâneos. O EP também se destaca por sua proposta de conscientização sobre saúde mental, transformando experiências pessoais e desafios emocionais em mensagens de esperança, resiliência e enfrentamento das dificuldades cotidianas.

Atualmente, a ADULFE é formada por Rodrigo Garcia (vocal), Matheus Siqueira (guitarra), Bruno Castro (guitarra), Otávio Siqueira (baixo) e Marcos Phelipe, também conhecido como PH (bateria). Juntos, os músicos vêm consolidando o nome da banda como uma das forças emergentes do Metal pesado no Mato Grosso do Sul, ampliando sua visibilidade dentro e fora do Brasil através de um trabalho consistente, autêntico e artisticamente relevante. Vale a aquisição do produto físico!

terça-feira, 24 de março de 2026

Resenha: Últimos de Nós - Voz da Consciência

 

Por Greg M. Schurtz

Nota: 08.0/10.0

A banda ÚLTIMOS DE NÓS apresenta o single “Voz da Consciência” como mais um passo consistente dentro de sua trajetória no cenário independente, reafirmando uma proposta musical que alia bom gosto, reflexão lírica e senso de identidade. Desde sua formação, o grupo vem se consolidando por meio de composições autorais que transitam entre vertentes do Rock e do Pop, sempre com ênfase em temáticas sociais e existenciais, característica que se mantém evidente neste novo lançamento.

“Voz da Consciência” se desenvolve a partir de uma estrutura sólida, na qual os elementos instrumentais são organizados de maneira progressiva, permitindo a construção de uma atmosfera densa e coesa. A banda demonstra maturidade ao equilibrar intensidade e técnica, evitando excessos e priorizando a funcionalidade da composição. O resultado é uma faixa que se sustenta tanto pela sua consistência musical quanto pela clareza de sua proposta estética, voltada para a cena nacional dos anos 1980.

O principal destaque não pode ser outro além da atuação do vocalista Ângelo Nascimento, cuja performance imprime a dinâmica necessária para a condução da música. Sua interpretação contribui diretamente para a coesão entre melodia e técnica, ao mesmo tempo em que adiciona camadas e texturas à composição. Trata-se de uma entrega segura e bem direcionada, que reforça a identidade sonora da ÚLTIMOS DE NÓS e potencializa o impacto da faixa.

Eu adorei a produção porque ela se mostra eficiente e bem resolvida, garantindo plena inteligibilidade aos instrumentos e valorizando cada elemento do arranjo. A escolha por uma abordagem mais limpa e equilibrada contribui para a compreensão da música em sua totalidade. Em contrapartida, a arte de capa adota uma solução mais simples, limitada a uma fotografia da banda, o que, embora funcional, evidencia a ausência de um conceito visual mais elaborado que poderia enriquecer o conjunto da obra.

Agora sob o respaldo de uma grande agência no Brasil, a ÚLTIMOS DE NÓS sinaliza perspectivas promissoras para os próximos passos. “Voz da Consciência” funciona como um indicativo claro de amadurecimento e direcionamento artístico, ao mesmo tempo em que amplia a expectativa em torno do primeiro álbum completo da banda, que tende a consolidar de forma mais abrangente sua identidade no mercado.