quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Profira - Em Nosso Lugar

 

Por Greg M. Schurtz

Nota: 08.0/10.0

O PROFIRA chega a Em Nosso Lugar com aquele tipo de trabalho que não precisa inventar moda para mostrar a que veio. Formada em 2014, em Angra dos Reis (RJ), a banda aposta em um Rock acessível, com pitadas de Pop Rock, melodias marcantes e letras que passeiam pela fé, pelo amor, pelas relações humanas e pelos problemas sociais. Lançado em 28 de fevereiro de 2025, o álbum reúne oito faixas em aproximadamente 27 minutos e apresenta uma proposta bastante direta: fazer música com mensagem, sem transformar cada composição em um discurso complicado. É justamente nessa simplicidade que o grupo encontra sua principal força, embora algumas passagens pudessem explorar caminhos mais ousados para ampliar a variedade sonora.

Um dos grandes acertos do disco aparece logo em “O Brasil Tem Jeito”, que encara questões coletivas por meio de uma abordagem melódica e fácil de acompanhar. Já “Nada Além do Novo” coloca as guitarras mais à frente e mostra como o PROFIRA consegue equilibrar peso e acessibilidade sem perder o fio da composição. Marcelo Banni conduz a faixa com vocais melódicos e uma interpretação que prioriza a comunicação, enquanto Daniel Honorato acrescenta corpo ao arranjo com as guitarras. Não é aquele Rock cheio de firulas ou de solos intermináveis, e nem precisa ser: a ideia é fazer a música funcionar, e esses dois momentos mostram que a banda sabe construir refrões e estruturas que permanecem na cabeça depois da audição.

A faixa-título, “Em Nosso Lugar”, merece atenção especial pela maneira como cresce ao longo de sua execução. A música nasceu de forma espontânea, a partir de uma ideia cantarolada por Marcelo Banni durante uma conversa com o ex-guitarrista Daniel Serra, que percebeu ali o potencial para desenvolver uma composição. O resultado começa com clima de balada e ganha força gradualmente, impulsionado pelas guitarras. É uma estrutura simples, mas eficiente, que combina com a proposta sentimental da letra sem cair em exageros desnecessários. Em outra direção, “Lágrimas nos Olhos” aposta em uma atmosfera mais introspectiva, abordando a falta de empatia, o autoritarismo e os conflitos sociais. O contraste entre o início mais contido e a entrada de riffs mais intensos dá à faixa um peso emocional que a coloca entre os melhores momentos do álbum.

A formação atual também tem papel importante nessa construção. Marcelo Banni assume os vocais e a guitarra, demonstrando versatilidade ao alternar entre bases rítmicas e melodias que sustentam a identidade do grupo. Daniel Honorato, na segunda guitarra, amplia as possibilidades dos arranjos, enquanto Big Hand’s, no baixo, e Ryan Banni, na bateria, garantem uma base firme e bem encaixada. Em “Para Te Adorar”, essa combinação funciona especialmente bem: os riffs têm presença, a interpretação vocal mantém a emoção em primeiro plano e a instrumentação acompanha a proposta espiritual sem deixar a música perder sua essência roqueira. “Somos Filhos de Deus” e “Criador e Criação” reforçam essa dimensão de fé, enquanto “Todos Os Dias” ajuda a manter o repertório leve e acessível. O conjunto não busca demonstrar virtuosismo a qualquer custo; sua prioridade está na canção e na mensagem.

No balanço geral, Em Nosso Lugar é um disco honesto, melódico e coerente com aquilo que o PROFIRA pretende comunicar. A produção favorece a clareza dos instrumentos, as composições apresentam identidade e faixas como “Em Nosso Lugar”, “Lágrimas nos Olhos” e “Nada Além do Novo” mostram diferentes maneiras de combinar emoção, crítica social e guitarras. O ponto que merece atenção é a relativa previsibilidade de algumas estruturas, que poderiam ganhar mais personalidade com mudanças de dinâmica e soluções instrumentais menos convencionais. Ainda assim, seria injusto cobrar do álbum uma postura experimental que não faz parte de sua proposta central. O mérito da banda está em entregar Rock brasileiro de fácil assimilação, com letras que procuram dialogar com a realidade e uma identidade construída sem disfarces. É um trabalho que não pretende revolucionar o gênero, mas deixa claro que o PROFIRA tem algo a dizer e sabe como transformar suas ideias em canções.

Terrorcidio - Favela



Por Greg M. Schurtz

Nota: 08.0/10.0

O TERRORCIDIO não está aqui para fazer carinho nos ouvidos de ninguém. Lançado em 15 de outubro de 2024, Favela é o primeiro álbum completo da banda e chega despejando uma mistura bruta de Death Metal, Thrash Metal e Hardcore, com pouco mais de 30 minutos de duração e nenhuma intenção de enrolar o ouvinte. Formado na Cidade Ocidental, no Entorno do Distrito Federal, o trio transforma vivências periféricas, violência e problemas sociais em combustível para um som que prefere o ataque direto à sofisticação desnecessária. A proposta combina com o título: o disco não tenta romantizar a realidade retratada nem suavizar a indignação que atravessa suas composições.

A pancadaria começa a ganhar forma em “Guerrilha 33”, que abre caminho com riffs secos, bateria acelerada e aquela sensação de que a música está sempre prestes a sair do controle. Na sequência, “Metal Nunca Morrerá” funciona como um manifesto curto e sem rodeios, enquanto “Possessão” é um dos grandes destaques do álbum: mais encorpada, a faixa abre espaço para a combinação entre a brutalidade do Death Metal e a urgência do Hardcore. O resultado não depende de malabarismos técnicos para funcionar. Aqui, o negócio é fazer os riffs baterem forte, manter o ritmo lá em cima e entregar composições que vão direto ao ponto.

Na faixa-título, “Favela”, a banda coloca sua identidade social no centro do ataque sonoro. A letra parte de situações que os próprios integrantes conhecem de perto, especialmente a violência e as dificuldades enfrentadas por quem vive na periferia de Brasília. Não se trata apenas de usar a realidade como pano de fundo para fazer Metal extremo: a intenção é transformar indignação em música, com peso e agressividade compatíveis com o conteúdo. “Circo dos Porcos” segue essa linha combativa, apostando em uma abordagem direta, enquanto “Agony” mantém a pressão até os momentos finais do repertório principal. São composições que funcionam justamente por não tentarem enfeitar demais a mensagem.

Na formação, Paulo Heavy chama a atenção ao assumir baixo e vocais, alternando screams e guturais com uma entrega que combina perfeitamente com a proposta do grupo. Sua interpretação tem presença e não fica devendo intensidade, especialmente em “Possessão”, na qual a combinação entre voz e instrumental ajuda a sustentar o impacto da composição. Wesley, na guitarra, contribui com riffs pesados e cortantes, sem transformar as músicas em demonstrações gratuitas de técnica. Já Graciel Cavalcante, na bateria, segura a velocidade e reforça a agressividade com uma execução que dá sustentação aos momentos mais intensos. A produção também merece crédito: mesmo com a crueza característica do underground, os instrumentos permanecem definidos, evitando que o peso vire uma massa sonora embolada.

No fim das contas, Favela entrega exatamente aquilo a que se propõe: um disco curto, nervoso e sem frescura, que encontra no encontro entre Death Metal e Hardcore sua principal força. “Guerrilha 33”, “Possessão” e “Favela” formam um trio de destaques que resume bem a identidade do trabalho, enquanto “Metal Nunca Morrerá” acrescenta uma dose de atitude e “Circo dos Porcos” mantém o repertório no modo de ataque. As faixas extremamente curtas, como “Chuta o Bicho Morto” e “Blasfêmia”, funcionam como golpes rápidos, embora essa economia também limite o espaço para desenvolver ideias mais variadas. As três faixas bônus ao vivo ampliam o material e dão uma amostra da energia do grupo fora do estúdio. Não é um álbum interessado em agradar a todos, tampouco precisa ser: o mérito do TERRORCIDIO está em transformar sua realidade em música pesada, mantendo uma identidade própria e uma postura coerente do início ao fim.

Rural Roads - Rust

 

Por Greg M. Schurtz

Nota: 08.0/10.0

O single “Rust”, lançado em abril de 2026, assinala uma nova etapa na trajetória da RURAL ROADS, banda porto-alegrense formada em 2009, cuja identidade musical se estabelece na intersecção entre o Heavy Metal e o Hard Rock. Com aproximadamente quatro minutos de duração, a composição inaugura uma nova fase de produção autoral após o EP ao vivo Farm Sessions: Live in Studio (2022) e sucede “Dandelion”, disponibilizada em 2024. Mais do que representar um retorno às composições inéditas, a faixa evidencia a continuidade de uma proposta que procura conciliar o peso característico das guitarras com estruturas melódicas acessíveis, sem recorrer a soluções excessivamente convencionais.

A construção instrumental constitui um dos principais méritos de “Rust”. As guitarras de Guilherme “Formiga” Anacleto e Will Guimarães sustentam o desenvolvimento da composição por meio de riffs encorpados, articulações complementares e uma distribuição funcional entre bases e melodias. Em vez de transformar a execução em uma demonstração de virtuosismo, a RURAL ROADS privilegia a coesão dos arranjos e a consistência da estrutura musical. Essa escolha favorece a compreensão da faixa e demonstra maior domínio sobre a própria linguagem, embora a opção por uma construção relativamente direta limite, em determinados momentos, a possibilidade de explorar contrastes mais expressivos entre as seções.

Na interpretação vocal, Giancarlo Cabrera apresenta uma abordagem melódica, articulada e compatível com a orientação estética do single. Sua voz estabelece um contraponto às guitarras distorcidas, evitando que a intensidade instrumental comprometa a inteligibilidade das linhas vocais. César Caramês, no baixo, e Bruno “Papão”, na bateria, completam a estrutura rítmica com uma base que favorece a estabilidade dos arranjos. A integração entre os integrantes contribui para a fluidez da execução, ainda que a composição pudesse se beneficiar de variações dinâmicas mais pronunciadas para ampliar a tensão e estabelecer momentos de maior impacto.

A letra de “Rust” estabelece uma relação direta entre o título e a experiência da estagnação. Segundo a banda, a composição começou a tomar forma em 2021, durante a pandemia, período em que a suspensão dos ensaios e das apresentações interrompeu parte significativa de sua rotina. A imagem da ferrugem funciona, portanto, como metáfora da perda de movimento e do desgaste provocado pela inatividade, condição que ultrapassa o contexto dos músicos e alcança diferentes dimensões da experiência humana. A reflexão também adquire uma perspectiva contemporânea diante das preocupações do grupo com a inteligência artificial e com a possibilidade de o ser humano perder espaço para atividades burocráticas, em detrimento da criatividade e do desenvolvimento pessoal.

Registrado no Estúdio Hurricane, em Porto Alegre, sob a produção de Sebastian Carsin, “Rust” apresenta uma RURAL ROADS mais consciente de seus recursos e de sua identidade musical. O single não representa uma ruptura estética, tampouco propõe uma reformulação radical do repertório anterior. Seu mérito reside na organização dos elementos que caracterizam o grupo, com equilíbrio entre peso, melodia e acessibilidade. Embora não elimine certas limitações relacionadas à previsibilidade estrutural e à exploração moderada de contrastes, a faixa cumpre sua função como apresentação do material inédito previsto para o próximo EP. O resultado é consistente e demonstra amadurecimento composicional, ainda que a confirmação de uma evolução mais abrangente dependa da análise do conjunto de músicas que sucederá este lançamento.

Anhaguama - Formula of Zos Vel Thanatos

 

 

Por Greg M. Schurtz

Nota: 08.0/10.0

A ANHAGUAMA mergulha em uma combinação de Death e Black Metal de raízes oitentistas e noventistas em Formula of Zos Vel Thanatos, EP originalmente lançado em 2022 e construído ao longo de um processo iniciado ainda em 2019. Com cinco faixas e cerca de 18 minutos, o registro concentra uma proposta essencialmente underground, marcada pelo ocultismo, pelo Caminho da Mão Esquerda e por referências às obras de Aleister Crowley e Austin Osman Spare. A própria banda reconhece que a fusão entre a brutalidade do Death Metal e a atmosfera do Black Metal está no centro de sua identidade desde a formação, em 2007. Gravado no Monolito Studio, em Mogi das Cruzes (SP), o trabalho teve produção, engenharia e mixagem de André Marques.

O guitarrista e vocalista Eosphorus é peça fundamental para o caráter do EP, especialmente pela maneira como seus riffs transitam entre velocidade, dissonância e momentos de maior definição melódica. Em “Ra-Hoor-Khuit”, faixa de abertura, essa característica aparece de imediato: a composição estabelece um ambiente hostil e ritualístico, alternando ataques velozes com passagens que ampliam a sensação de tensão. “N.O.X.” aprofunda essa abordagem e surge como um dos pontos altos do trabalho, graças à combinação entre agressividade, mudanças de andamento e uma atmosfera particularmente sombria. O resultado é uma guitarra que não depende exclusivamente da velocidade para transmitir peso, embora alguns momentos mais melódicos e determinados solos soem menos convincentes do que os trechos de maior ferocidade.

Na bateria, o saudoso Necromancius Apocalypticus contribui decisivamente para a faceta mais brutal de Formula of Zos Vel Thanatos. Sua interpretação no instrumento demonstra características mais próximas do Black Metal, evitando uma condução excessivamente previsível e reforçando o caráter ameaçador das composições. “Aeon of Horus” merece destaque justamente por explorar esse contraste: a faixa combina a violência rítmica da bateria com linhas de guitarra que introduzem uma dimensão mais atmosférica, criando uma dinâmica interessante entre caos e organização. A crítica internacional também apontou essa capacidade de equilibrar agressividade Death Metal, frieza black metal e elementos mais tradicionais sem transformar a mistura em uma simples colagem de referências.

O baixo de Azatoth completa a estrutura do trio em sua formação posteriormente apresentada pela banda, embora o registro de 2022 conte com André Marques como baixista convidado e responsável também pela produção, gravação, engenharia e mixagem. Musicalmente, a função do instrumento é menos voltada ao protagonismo e mais à sustentação do ambiente pesado criado por guitarras e bateria. Nesse contexto, “Necromancy & Magick of Hecate” funciona como outro destaque do EP: curta, direta e carregada de tensão, a faixa encerra o material sem prolongamentos desnecessários e reforça a vocação da ANHAGUAMA para construir atmosferas densas dentro de estruturas compactas. Já a faixa-título, “Formula of Zos Vel Thanatos”, aposta em uma abordagem ainda mais concentrada, funcionando como uma espécie de núcleo conceitual e sonoro da obra.

Como conjunto, Formula of Zos Vel Thanatos está longe de ser um trabalho preocupado em polir excessivamente suas arestas — e essa característica pode ser entendida tanto como virtude quanto como limitação. A produção mantém clareza suficiente para que os instrumentos sejam percebidos, mas preserva uma aspereza compatível com a proposta da banda. O principal mérito da ANHAGUAMA está justamente na capacidade de fazer o caos conviver com passagens de maior definição, criando uma identidade que não se resume ao Black ou ao Death Metal convencional. Há momentos em que as incursões melódicas e os solos parecem menos desenvolvidos, mas a força dos riffs, a expressividade dos vocais e a atmosfera ocultista sustentam um registro autêntico, visceral e coerente com uma trajetória construída há quase duas décadas no underground.

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Mad Sneaks - Incognito

 

Por Greg M. Schurtz

Nota: 09.0/10.0

Incognito, primeiro álbum da MAD SNEAKS, é um trabalho que chega sem muita vontade de pedir licença — e isso combina perfeitamente com a personalidade do trio. Lançado em março de 2026, o disco reúne dez faixas e transforma referências do Grunge, Alternative Rock, Punk e Stoner em uma sonoridade crua, pesada e, acima de tudo, humana. A banda surgiu em 2009, em Alpinópolis (MG), mudou-se para São Paulo em 2016 e construiu sua trajetória justamente a partir da ideia de fazer barulho sem se prender demais a rótulos. Aqui, essa postura aparece de maneira bastante natural: MAD SNEAKS não tenta esconder suas influências, mas também não soa como uma banda fantasiada de anos 1990. O resultado é um álbum cheio de contrastes, alternando sujeira, melodia, tensão, crítica social e vulnerabilidade.

Na guitarra e nos vocais, Agno Dissan concentra boa parte da personalidade de Incognito, transitando com desenvoltura entre interpretações mais ásperas e momentos de maior fragilidade. “The Cure” é um dos grandes destaques justamente por condensar essas características: riffs marcantes, atmosfera sombria e uma melancolia que cresce sem transformar a composição em algo excessivamente contemplativo. A música parece caminhar o tempo todo entre a vontade de encontrar uma saída e a percepção de que talvez ela não exista. “Pandora”, por sua vez, apresenta uma faceta mais melódica e emocional, trabalhando sentimentos de perda, isolamento e busca por compreensão. É nessa alternância entre peso e sensibilidade que MAD SNEAKS encontra um de seus caminhos mais interessantes.

Se a guitarra estabelece boa parte da tensão, Amaury Johns é quem mantém a máquina funcionando com uma bateria direta, vigorosa e sem firulas desnecessárias. O músico entende que, em um power trio, cada golpe precisa ocupar espaço, mas sem transformar a performance em uma competição de exibicionismo. “Coma” é um ótimo exemplo disso: a faixa mergulha em uma atmosfera sufocante, abordando medo, dependência e autodestruição por meio de uma construção pesada e insistente, na qual a bateria ajuda a criar aquela sensação incômoda de estar preso dentro da própria cabeça. A força da música está justamente em não tentar suavizar o desconforto. A produção acompanha essa proposta ao preservar a impressão de que há três pessoas tocando juntas, com dinâmica e organicidade, em vez de empilhar camadas até apagar a identidade do trio.

No baixo, Phill Andreas oferece a sustentação necessária para que as guitarras possam avançar sem perder densidade. Seu trabalho ajuda a preencher os espaços e reforça especialmente os momentos em que o álbum mergulha em regiões mais pesadas e sombrias. “Pandora” ganha corpo com essa combinação, enquanto “Coma” encontra no baixo uma espécie de alicerce para sua atmosfera claustrofóbica. Já “The Cure” demonstra como a seção rítmica pode sustentar uma composição mais introspectiva sem diminuir seu impacto. Essa coesão instrumental é importante porque Incognito foi concebido para soar grande mesmo sendo produzido por apenas três músicos. A própria MAD SNEAKS destaca a busca por uma gravação que não escondesse os integrantes nem eliminasse as imperfeições naturais de uma performance orgânica — e essa escolha acaba sendo um dos maiores trunfos do disco.

No fim das contas, Incognito funciona porque MAD SNEAKS não tenta transformar suas referências em uma fantasia retrô. Nirvana, Silverchair, Alice in Chains, Helmet, Ramones, Soundgarden e Social Distortion fazem parte desse DNA, mas aparecem filtrados pelas experiências de uma banda que começou no interior de Minas Gerais, encontrou seu espaço em São Paulo e acumulou ao longo do caminho experiências com nomes como Jack Endino, Toby Wright e Page Hamilton — este último participando de “Dead Killer”. A decisão de não perseguir algoritmos, playlists ou uma fórmula comercial também combina com o caráter do álbum: são dez músicas pensadas como uma viagem única, na qual “The Cure”, “Pandora” e “Coma” funcionam como pontos especialmente fortes. É Rock sem maquiagem excessiva, com sujeira, melodia e personalidade; um disco que entende que, às vezes, o melhor jeito de fazer barulho é simplesmente deixar a banda tocar.

Metalminator - Night of the Exterminator

 

Por Greg M. Schurtz 

Nota: 09.0/10.0

A estreia da METALMINATOR com Night of the Exterminator é um daqueles trabalhos que deixam clara a proposta logo nos primeiros minutos, mas encontram caminhos próprios para desenvolvê-la. Formada em São Paulo em 2024, a banda construiu seu primeiro álbum a partir das bases do Speed Metal clássico, incorporando elementos da NWOBHM, do Speed/Power Metal alemão e, de maneira bastante particular, teclados e sintetizadores associados a uma estética retrofuturista. Lançado em 14 de agosto de 2026, o registro reúne nove faixas e pouco mais de 42 minutos, apostando em velocidade, riffs afiados, harmonias e refrãos marcantes sem transformar a reverência aos anos 1980 em simples exercício de nostalgia. A própria formação reconhece que essa combinação de referências surgiu naturalmente das diferentes influências de seus integrantes, resultando em uma sonoridade mais melódica e trabalhada do que aquela normalmente associada ao Speed Metal mais cru.

Entre os principais responsáveis por essa identidade está Robby Speed, que assume vocais, baixo, teclados e guitarras e responde pela maior parte das composições. Seu trabalho é especialmente perceptível na maneira como as melodias se encaixam aos riffs velozes, criando um equilíbrio entre agressividade e apelo tradicional. “Speed of Evil” sintetiza muito bem essa característica, avançando com guitarras rápidas, vocais firmes e uma construção que ganha personalidade com a pausa introduzida após o primeiro refrão. A faixa também evidencia como a METALMINATOR consegue trabalhar velocidade sem sacrificar dinâmica. Ao seu lado, Johnny Grave contribui decisivamente para o peso das guitarras e para as harmonizações que ampliam o caráter melódico do repertório. A química entre as guitarras é um dos pontos altos do disco, sobretudo porque evita que a intensidade permaneça restrita a uma sucessão uniforme de riffs acelerados.

“Eyes of the Future” surge como outro momento de destaque justamente por explorar com maior intensidade a faceta melódica da banda. A composição aproxima o Speed Metal da tradição da NWOBHM, valorizando harmonias de guitarra e mudanças que oferecem um respiro dentro da velocidade predominante. Já “Golden Years”, com seus mais de sete minutos, amplia ainda mais esse campo de possibilidades ao combinar duas guitarras com chorus, sintetizadores, cordas, baixo e vocais, tornando-se uma das peças mais ambiciosas do repertório. João Granado, responsável pelas guitarras e backing vocals na gravação, merece menção especial nesse contexto: sua participação nas harmonizações e, particularmente, a sugestão da dobra em quinta no início da faixa-título, demonstra como as contribuições individuais foram importantes para enriquecer as ideias originalmente apresentadas por Robby. O resultado é um álbum que não depende exclusivamente da velocidade para se afirmar.

Na bateria, D.D. Razor proporciona a força que mantém esse conjunto em movimento, mas sua atuação vai além do acompanhamento básico. De acordo com a própria banda, várias linhas foram retrabalhadas durante as gravações, com atenção especial às viradas, conduções, dinâmicas e mudanças de groove. Essa abordagem fica evidente em faixas como “Rage” e “Lady Killer”, nas quais a bateria participa ativamente das transições e ajuda a impedir que a estrutura perca impacto. Em “Rage”, particularmente, a combinação entre riffs cortantes, andamento acelerado e mudanças de dinâmica mostra uma METALMINATOR interessada em construir músicas que tenham mais de uma camada de leitura. A faixa-título segue caminho semelhante: depois de passar por diversas reformulações até alcançar sua versão definitiva, transforma a estética cyberpunk e retrofuturista do conceito do álbum em uma peça extensa, marcada pela presença dos teclados e por uma atmosfera que remete a uma visão de futuro imaginada a partir dos anos 1980.

Outro mérito importante está na produção, conduzida pelo próprio D.D. Razor, responsável pela produção, engenharia e mixagem. O tratamento sonoro preserva uma sensação orgânica, quente e dinâmica, evitando a compressão excessiva que poderia retirar do Speed Metal justamente sua espontaneidade. Ao mesmo tempo, guitarras, baixo, bateria, vocais e sintetizadores permanecem suficientemente definidos para que os diferentes elementos possam ser percebidos dentro dos arranjos mais carregados. Night of the Exterminator não pretende reinventar o gênero, e tampouco precisa fazê-lo: sua principal virtude está em compreender os fundamentos do Speed Metal e acrescentar a eles melodias, harmonizações, teclados e uma identidade visual retrofuturista que ajudam a diferenciar a proposta. Como primeiro álbum, é um resultado bastante seguro e promissor, capaz de apresentar a METALMINATOR como uma banda que respeita suas referências, mas demonstra disposição para construir um caminho próprio dentro do Metal tradicional.

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Bruthus - Sexta-Feita

 

Por Greg M. Schurtz

Nota: 08.0/10.0

Cara, se tem uma coisa que a rapaziada do underground carioca sabe fazer sem frescura é entregar aquele som peso-pesado na cara do ouvinte. A BRUTHUS — que vem construindo uma reputação sólida desde o debut acachapante Comigo Não (2019) e do brutal single Ladrão (2023) — resolveu botar mais lenha na fogueira com a faixa “Sexta-Feira”. Quem acompanha a trajetória da rapaziada já sabe qual é a pegada, mas esse lançamento chega chutando a porta do fone de ouvido com uma agressividade refinada, mostrando que a maturidade da banda veio acompanhada de ainda mais punch.

O som começa sem dar margem para respirar, jogando a gente direto no turbilhão de riffs diretos e uma cozinha pesadíssima que parece um trator desgovernado. A produção acerta em cheio ao dar destaque para a pressão dos graves, casando certinho com os vocais escancarados e cheios de rasgo que viraram marca registrada do trio. Não tem firula eletrônica ou invenção de moda que mude a essência do negócio: é heavy metal/hardcore puro, reto e sem curva, trabalhado no Groove e na pegada orgânica do ensaio que visceralmente se traduz no estúdio.

Tematicamente, “Sexta-Feira” pega aquele cansaço acumulado da rotina moedora de carne e transforma tudo em pura catarse sonora. Em matérias e entrevistas recentes divulgadas pela imprensa especializada, o pessoal da banda deixou claro que a ideia era sintetizar aquele alívio caótico do fim de semana através de um som curto, grosso e sem filtro. As linhas de vocal traduzem exatamente essa angústia do cotidiano de quem rala pra caramba na correria urbana, servindo de válvula de escape perfeita para descarregar o estresse da semana inteira em questão de minutos.

Comparado com as pedradas anteriores do grupo, dá para notar uma evolução nítida na coesão do arranjo e na dinamização do instrumental. A BRUTHUS conseguiu lapidar a agressividade do som de um jeito que a pauleira soe limpa no fone sem perder aquele peso meio sujo e casca-grossa do palco. Os caras não tentam reinventar a roda do som pesado, e nem precisam; o grande trunfo aqui é a capacidade de criar uma faixa contagiosa que dá vontade de abrir uma roda de pogo no meio da sala de casa logo no primeiro play.

No fim das contas, “Sexta-Feira” se consolida como um dos grandes momentos do rock pesado nacional na temporada, provando que a BRUTHUS continua no caminho certo e sem medo de pisar no acelerador. Se esse lançamento for a amostra do que vem por aí nos próximos trabalhos do grupo, o público pode esperar muita pancadaria da boa pela frente. A música cumpre com sobra a sua missão: entrega energia brutal, lava a alma de quem escuta e deixa aquele gosto de “quero mais” rodando no repeat do streaming.

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Resenha: Silver Dose - Serotonin Fix

Por Rodrigo Maldonado

Nota: 08.0/10.0

A SILVER DOSE retorna com “Serotonin Fix” demonstrando que peso e melodia podem coexistir sem que um elemento precise necessariamente se sobrepor ao outro. Radicado nos arredores de Nova Orleans, o trio formado por Guzz Andrade (vocais e guitarra), Jordan Tamplain (baixo e backing vocals) e Rikki Frazier (bateria) construiu sua identidade a partir do Rock Alternativo, Grunge e Nu Metal, incorporando ainda discretas referências latinas. Depois do álbum Slander (2022) e dos singles “Already Dead” e “Joyride”, a nova composição surge como uma continuidade natural dessa trajetória, mas com uma atmosfera particularmente inquieta e introspectiva. Lançada em 3 de julho de 2026, a faixa evidencia uma formação cada vez mais confortável com a própria linguagem.

Musicalmente, “Serotonin Fix” encontra boa parte de sua força nos riffs em afinações graves e nos grooves que conduzem a música sem torná-la excessivamente pesada. A guitarra de Guzz estabelece uma base densa, enquanto baixo e bateria trabalham de maneira bastante integrada para preservar a pulsação do arranjo. O resultado não depende de demonstrações virtuosísticas ou de mudanças bruscas para chamar atenção: a SILVER DOSE aposta em uma construção direta, na qual a repetição assume função expressiva e ajuda a traduzir a sensação de alguém preso a um ciclo de busca por satisfação imediata. O refrão, por sua vez, funciona como um ponto de fixação eficiente, reforçando o caráter melódico que também aparece em outros trabalhos do grupo.

A interpretação vocal merece destaque justamente por acompanhar essa instabilidade emocional sem recorrer a exageros. Guzz Andrade alterna momentos mais contidos com passagens de maior intensidade, criando uma entrega que combina urgência, desconforto e certa sensação de distanciamento. A letra aborda a procura por uma espécie de alívio químico ou emocional diante da insatisfação, explorando a necessidade de repetir determinadas experiências mesmo quando elas não representam uma solução permanente. Expressões relacionadas à dessensibilização, inadequação e ao desejo de obter uma nova “dose” de serotonina reforçam essa ideia de dependência de pequenas fugas. É uma abordagem que permite interpretar a faixa tanto pelo viés psicológico quanto por uma perspectiva mais ampla sobre os mecanismos contemporâneos de recompensa.

Na parte instrumental, Jordan Tamplain desempenha papel importante ao sustentar as frequências graves e ampliar a sensação de pressão criada pelos riffs, enquanto Rikki Frazier mantém a composição em movimento com uma bateria que privilegia impacto e dinâmica. A produção e a mixagem de Ross Johnson ajudam a preservar essa divisão de funções, deixando guitarra, baixo, bateria e voz suficientemente definidos dentro de uma sonoridade encorpada. A faixa poderia, talvez, explorar contrastes estruturais ainda mais acentuados em determinados momentos, principalmente para criar rupturas capazes de aumentar o impacto de seus pontos culminantes. Ainda assim, a escolha por uma estrutura relativamente objetiva combina com a proposta da banda e evita que a mensagem seja diluída por excessos.

O aspecto mais interessante de “Serotonin Fix” está na coerência entre conceito e execução. A SILVER DOSE não utiliza o peso apenas como recurso estético, mas como extensão da inquietação presente na letra, fazendo com que riffs, grooves e vocais contribuam para a mesma sensação de tensão e repetição. Ao mesmo tempo, as melodias impedem que o single se torne hermético ou excessivamente sombrio, preservando uma acessibilidade que dialoga tanto com o Rock Alternativo quanto com vertentes mais pesadas. O resultado é uma composição sólida, contemporânea e consciente de suas referências, na qual o trio demonstra maturidade para transformar um tema relacionado à busca incessante por alívio em uma experiência musical envolvente. “Serotonin Fix” confirma, assim, a capacidade da SILVER DOSE de equilibrar contundência, apelo melódico e conteúdo introspectivo sem perder espontaneidade.

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Resenha: Uganga - Ganeshu

Por Greg M. Schurtz

Nota: 09.0/10.0

Depois de mais de três décadas de estrada, a UGANGA chega a Ganeshu mostrando que renovação não precisa significar abandono das próprias raízes. Lançado em 9 de maio de 2025, o oitavo álbum de estúdio da banda mineira reúne dez faixas em apenas 26 minutos e transforma o Crossover em um verdadeiro caldeirão de Thrash Metal, Hardcore, Groove, Dub, Rap, psicodelia e elementos eletrônicos. O disco nasceu justamente em meio a uma profunda reformulação do grupo e, como o próprio Manu Joker explicou, representa “um novo momento para a banda. Uma nova era”, com um trabalho “direto, brutal e experimental”. A gravação aconteceu no Rocklab Studio, em Anápolis (GO), com produção dividida entre Manu e Gustavo Vazquez, e a decisão de registrar a base instrumental de forma conjunta, com uma guia vocal, ajudou a preservar aquela sensação de urgência que a UGANGA leva para o palco.

“Igarapés” funciona como uma introdução atmosférica e quase ritualística antes de “A Profecia” entrar rasgando tudo, combinando a velocidade do Hardcore com bases de Thrash e uma guitarra particularmente eficiente de Jean Pagani. Manu Joker segue sendo o grande ponto de referência vocal, alternando peso, agressividade e clareza para que as letras em português não percam força no meio da pancadaria. Em “Confesso”, a banda diminui um pouco a velocidade e deixa o Groove assumir maior protagonismo, com Juninho Silva mostrando por que sua bateria é tão importante para o dinamismo do álbum: há peso, quebradas e mudanças de andamento sem qualquer necessidade de transformar a música em uma demonstração técnica. O próprio Manu resume bem a filosofia do disco ao recomendar que ele seja ouvido inteiro, em ordem, já que as músicas “se completam” dentro desses pouco mais de 26 minutos.

Se existe uma faixa capaz de resumir a capacidade da UGANGA de juntar universos diferentes sem perder a mão, essa é “Tem Fogo!”. O instrumental passeia por Thrash, Rap e breakdowns pesados, enquanto a letra dialoga com o Cerrado, destruição, vícios e referências a Iansã, fazendo da música um dos grandes momentos do álbum. A atuação de Juninho é novamente decisiva, sustentando as mudanças de clima com precisão, enquanto as guitarras de Pagani adicionam riffs que funcionam tanto na audição doméstica quanto naquele contexto de moshpit que parece ser o habitat natural da banda. “Sonho” mantém a alternância entre passagens cadenciadas e momentos mais velozes, preparando o terreno para “Psicoraio Dub”, talvez a demonstração mais evidente de que o grupo não está interessado em obedecer às fronteiras convencionais do Metal. O próprio Manu já explicou que Dub e Doom possuem conexões justamente pela combinação de lentidão, peso e psicodelia — e essa liberdade de pensamento está espalhada por todo o álbum.

“Exu Não Passa Pano” devolve a urgência ao repertório com riffs certeiros, bateria pesada e um refrão que praticamente exige participação coletiva, enquanto “D.R.Ones” aparece como um pequeno interlúdio antes da faixa-título. E é justamente em “Ganeshu” que todas essas experiências parecem encontrar um ponto de convergência. A música, a mais longa do disco, alterna peso, Groove, momentos mais contidos, ritmos regionais e uma conclusão mais extrema, com Manu adotando uma interpretação relativamente mais contida em determinados trechos. O conceito também é fundamental: “Ganeshu” é uma entidade imaginada por Manu a partir da fusão simbólica de Ganesha e Exu, duas figuras associadas à abertura de caminhos e à remoção de obstáculos. A ideia funciona como uma espécie de espelho da própria banda, que há décadas mistura referências culturais e musicais aparentemente distantes. Como o vocalista definiu em entrevista, a UGANGA faz “crossover livre com cheiro de coturno, incenso e ganja” — e dificilmente haveria descrição mais adequada para este álbum.

“Pressentimento”, encerrada com participações de Jonas Pheer, O Eremita Roots e Isabela Melo, fecha Ganeshu de maneira coerente com toda a proposta: incorporando elementos de Rap e ampliando ainda mais o campo de atuação da banda sem abandonar o peso. Vale lembrar que o álbum foi registrado por Manu Joker (voz e percussão), Juninho Silva (bateria e vocais), Jean Pagani (guitarra e vocais) e Raphael “Ras” Franco (baixo e vocais), formação que posteriormente passou por novas mudanças, com Vinícius Luz e Igor Wallace assumindo guitarra e baixo, respectivamente. Mais do que simplesmente apresentar novas músicas, Ganeshu documenta um período de transformação e funciona como um retrato bastante honesto da UGANGA neste momento: curto, pesado, inquieto e disposto a experimentar. Não é um disco feito para quem precisa encontrar uma etiqueta confortável para cada faixa; é um trabalho que pede uma audição completa e recompensa justamente quando o ouvinte aceita embarcar nessa mistura de Crossover, espiritualidade, crítica social e referências que vão muito além do Metal.

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Entrevista: Adulfe - As Novas Facetas do Modern Metal Brasileiro

 

1 - Bruno, obrigado pelo seu tempo para nós da Metal Fire Metal. Você pode nos contar como foi o início da carreira da ADULFE?

R. A banda tem uma historia bem interessante, começamos no meio evangélico lá em 2009 tocando somente covers e entre muitas idas e vindas em 2018, a formação atual se fez, desde então decidimos que trabalharíamos com musica autoral e em 2021 nasceu o “Decadencia” com 5 faixas  que falava sobre superação, foi um álbum totalmente orgânico fizemos praticamente tudo sozinhos não tínhamos produtor na época, mas com o passar do tempo percebemos que precisaríamos subir o nível e  em 2024/2025 fizemos o “Anxiety” dessa vez com um produtor e totalmente em inglês, o que foi essencial para o resultado que tivemos.

2 - Conheci o trabalho de vocês através de “Anxiety”. Como tem sido a repercussão deste trabalho?!

R. Bem melhor do que esperávamos, tivemos números melhores nas plataformas, os shows mais lotados e até repercussão internacional, fizemos cds físicos, pro pessoal de fora do pais que prefere, no geral estamos trabalhando e investindo nosso tempo e dedicando com nossa equipe na Europa e Asia e até o momento tem dado resultado.

 3 - Como se deu o processo de produção do material? Quem assinou a produção? Vocês costumam participar?

R: Então no nosso processo fazemos a pré produção nós mesmos no nosso home studio e então passamos pro nosso produtor Matheus Nunes do RJ, trocamos ideias sobre as musicas em geral o processo é bem mutuo com participação dos 2 lados, no caso foi muito bom termos uma visão de fora pra ampliar nossa percepção do metal em si.

4 - A banda, ao menos pra mim, soa como Modern Metal. Mas como vocês se rotulam?

R: Hoje em dia poderia dizer que somos uma mistura de Metalcore com elementos do Deathcore, pois tem uma grande diferença do 1º pro 2º álbum mas mesmo assim ainda n temos tanta influencia  do Djent por exemplo como Architets e  I Prevail que são bandas mais modernas mesmo, creio que estamos mais perto do Suicide Silence do que deles.

5 - O que você acha sobre outros gêneros musicais? O que vocês costumam ouvir nas horas vagas?

R: Nessa Parte é que banda se difere bem, pois cada um tem uma influencia distinta Por exemplo: Country, power metal, Metalcore clássico como As i Lay Dying e Killswitch Engage, Musica Eletronica, Rap e até POP como Lady gaga, no final das contas dá uma mistura boa.

6 - “Darkness Inside” foi uma enorme surpresa pra mim. Por qual razão resolveram gravá-la?

R. é uma faixa que fala bem sobre o que é o álbum em si, nele falamos sobre ansiedade, depressão, questões de saúde mental resumidamente. Mas falando sobre ela em especifico, ela deixa bem explicito qual a sensação que a depressão traz, um lugar escuro, com muros

7 - Queria muito poder conferir mais conteúdo de vocês. Mais lançamentos estão nos planos para 2026?

R. sim com certeza já estamos trabalhando no novo álbum, mas ainda não temos uma data prévia, mas queremos lançar esse ano ainda

8 - Acho que o som de vocês casa muito bem com o inglês. Concordam? Alguma chance de vocês passarem a trabalhar também com o português novamente?

R. Então, nosso objetivo com o “Anxiety” era justamente buscar o mercado internacional, por isso a mudança para o inglês, não descartamos totalmente a ideia do português, mas por enquanto não existem planos para voltar para ele, e sim creio que todos concordam que esse projeto combinou muito com o inglês.

 9 - Como tem sido os shows nesta fase atual da carreira da banda?

R. A, a reação das pessoas tem nos surpreendido, desde ficarem parados apenas olhando de boca aberta até girando loucamente no mosh, o som pesou bastante o que agradou a maioria, e a recepção num geral tem sido ótima, mas gostaríamos de fazer mais shows e rodar mais pelo brasil em lugares diferentes

10 - E quanto a novos lançamentos no formato áudio visual? Alguma chance de vermos novos videoclipes da banda ainda em 2026?

R. a sim temos projeto pra mais clipes esse ano ainda, já temos 3 do Anxiety e creio que faremos mais 2, mas sem data ainda.

11 - Bruno, mais uma vez, muito obrigado. Se algo ficou pendente, por favor este espaço é seu para as considerações finais...

R. Nós que agradecemos o espaço, foi muito bom conversar com vocês, sigam a @_Adulfe no Instagram, e nas outras redes sociais, nossa musica está em todas as plataformas digitais, Spotify, Deezer, Itunes, Youtube...


Um grande abraço e até a próxima

Valeu!

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Entrevista - Profira: A Nova Força do Hard Rock no Brasil

 

1. Marcelo, obrigado pelo seu tempo para nós da Metal Fire Metal. Você pode nos contar como foi o início da carreira da PROFIRA?

A Profira foi formada em 2014, em Angra dos Reis, com o objetivo de fazer música com identidade e verdade. Desde o início, buscamos construir nosso próprio caminho dentro do rock, passando pelo Pop Rock Nacional, MPB, música cristã e também por grandes clássicos que fazem parte da nossa formação musical.

Ao longo desses anos, fomos amadurecendo como banda, adquirindo experiência nos palcos e construindo uma trajetória baseada principalmente no amor pela música e na vontade de continuar realizando esse sonho.

2. Conheci o trabalho de vocês através de “Em Nosso Lugar”. Como tem sido a repercussão deste trabalho?!

“Em Nosso Lugar” representa muito para a Profira. É sempre muito gratificante quando uma música chega às pessoas e consegue transmitir aquilo que nós sentimos quando estamos tocando.

A repercussão tem sido muito importante para nós, principalmente porque mostra que existe público interessado no nosso trabalho e disposto a conhecer cada vez mais a banda.

3. Como se deu o processo de produção do material? Quem assinou a produção? Vocês costumam participar?

A produção é uma parte muito importante do nosso trabalho. Nós procuramos participar do processo e acompanhar de perto aquilo que representa a identidade da banda.

Mais do que simplesmente gravar uma música, queremos que o resultado final tenha a nossa personalidade e traduza aquilo que somos musicalmente.

4. A banda, ao menos para mim, soa como algo entre o Hard Rock e o Rock Nacional. Mas como vocês se rotulam?

Acho que essa mistura faz parte justamente da nossa identidade. A Profira transita por diferentes influências, principalmente dentro do rock nacional, mas também traz elementos de outros estilos que fazem parte da nossa história musical.

Eu não gosto muito de colocar a banda dentro de uma única definição. Prefiro dizer que somos uma banda de rock que busca liberdade para trabalhar diferentes influências sem perder a nossa identidade.

5. O que você acha sobre outros gêneros musicais? O que vocês costumam ouvir nas horas vagas?

Eu acredito que todo gênero musical pode trazer alguma coisa interessante. Como músico, acho importante estar aberto para ouvir coisas diferentes, porque isso também contribui para o crescimento artístico.

As nossas influências são variadas, e cada integrante tem suas próprias referências. Essa diversidade acaba aparecendo naturalmente na música da Profira.

6. “Nada Além do Novo” foi uma enorme surpresa pra mim. Por qual razão resolveram gravá-la?

“Nada Além do Novo” surgiu dentro desse processo de buscar novas possibilidades para a banda.

A música chamou nossa atenção justamente pela possibilidade de mostrar um outro lado da Profira. Quando acreditamos em uma música, procuramos fazer com que ela tenha o nosso jeito e consiga conversar com quem está ouvindo.

7. Queria muito poder conferir mais conteúdo de vocês. Mais lançamentos estão nos planos para 2026?

Sim. Estamos vivendo um momento importante para a Profira e queremos continuar produzindo e apresentando novidades.

2026 é um ano muito especial para nós, principalmente com o projeto “Em Busca do Sonho Perfeito”, e a intenção é continuar trabalhando para levar a música da Profira cada vez mais longe.

8. Acho que o som de vocês casa muito bem com o português. Concordam? Alguma chance de vocês passarem a trabalhar também com o Inglês?

O português faz parte da nossa identidade e é a língua na qual conseguimos transmitir nossas ideias de maneira muito natural.

Mas acredito que a música não precisa ficar presa a uma única possibilidade. Trabalhar futuramente com o inglês pode ser uma possibilidade interessante, principalmente se houver uma música ou um projeto que peça isso naturalmente.

9. Como tem sido os shows nesta fase atual da carreira da banda?

Os shows são uma das partes mais importantes da nossa trajetória. É no palco que a banda consegue estabelecer uma conexão direta com o público.

Estamos vivendo uma fase de renovação e de busca por novos espaços, novos públicos e novas experiências. Nosso objetivo é continuar fazendo shows com muita energia e entregar uma apresentação que represente verdadeiramente a Profira.

10. E quanto a novos lançamentos no formato audiovisual? Alguma chance de vermos novos videoclipes da banda ainda em 2026?

O audiovisual é uma ferramenta muito importante atualmente e certamente faz parte dos nossos planos.

A ideia é continuar produzindo conteúdo que ajude a apresentar a Profira para um público cada vez maior. Novos videoclipes e materiais audiovisuais são possibilidades que queremos explorar ao longo de 2026.

11. Marcelo, mais uma vez, muito obrigado. Se algo ficou pendente, por favor este espaço é seu para as considerações finais...

Eu é que agradeço o espaço e a oportunidade de falar um pouco sobre a Profira.

Quero agradecer a todos que acompanham o nosso trabalho, às pessoas que vão aos nossos shows, ouvem nossas músicas, compartilham nosso material e acreditam na banda.

A Profira continua seguindo em frente, com muita vontade de fazer música, subir aos palcos e realizar esse sonho. “Em Busca do Sonho Perfeito” é justamente sobre isso: continuar acreditando, trabalhando e fazendo acontecer.

Muito obrigado à Metal Fire Metal pelo espaço e a todos que fazem parte dessa caminhada. Espero encontrar vocês em breve em algum palco por aí!